Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
*quando mudamos para um caderno novo, já não escrevemos mais nada no velho.
Aqui fica apenas o caminho para onde continuo a escrever: https://todosdiasblog.blogspot.com/
E fica também o que nunca se perde.
Eu…Família. Amigos, todos.
Manhãs. O amor. A família. Os amigos. O mar, profundo. A Praia, sempre. Verão. Água fresca. Chuva na janela. O cheiro a terra molhada. Água fresca. Lugares onde voltar. À mesa com quem se gosta. Ver cozinhados, falar de cozinhados, cozinhar. Cognac. Café. Chocolate. Ser justo. Persistência. Paciência. Coragem. Acreditar. Fé, sempre. Olhares que decidem. Aprender dos outros e de mim, todos os dias. Música. Ler e pensar, antes de dormir. Sonhar.

“Com a visita dos Reis Magos, dizemos ao nosso Natal um ‘até já’, enquanto a fé e o amor vivido em família permanece todos os dias.”
* [sobreviveu ao enrolar]
O meu Natal é sempre a dividir por dois.
No dia 24 há jantar de Natal, noite de Pai Natal e prendas abertas à meia-noite. Um Natal bem consumista, confesso. A minha sogra comprava tudo feito — filhoses, sonhos, azevias, tronco de natal, molotof, bolo de milho… uma verdadeira montra de pastelaria que só desaparecia lá para os Reis.
Mesmo assim, havia coisas que eram sagradas e que ela exigia que eu fizesse: a mousse de chocolate e a minha tarte de amêndoa.
Aliás, há mais de 30 anos que levo sempre a tarte de amêndoa, mesmo sem ela estar presente 🤍 . Modéstia à parte, é a minha personal trademark. Com a mesma receita ninguém a faz igual à minha — escrita num velho papelinho pela tia-avó Gertrudes.
Dia 25 é outro campeonato.
É dia de Menino Jesus, prendas só de manhã, sapatinhos na chaminé (hoje ficam debaixo da árvore, mas a tradição mantém-se). Aqui não se compra nada feito: tudo se faz, tudo se suja. O alguidar enchia-se de massa para as filhoses de abóbora e a cozinha era território sagrado.
Este ano, mais um vez sozinha na minha cozinha, liguei o forno e meti mãos à obra. A casa encheu-se de aromas, música de Natal, loiça para lavar… e um cálice de vinho do Porto a acompanhar, claro 🍷
Tradicionalmente fazia azevias de batata-doce, mas dão um trabalhão e sozinha era uma tarde inteira em pé — e o cansaço e a saúde também mandam.
Hoje já fiz a tarte de amêndoa, a serradura e aventurei-me num tronco de Natal. Já não fazia há muitos anos, mas era uma tradição só minha.
Confesso que hesitei. Fazer tortas é sempre um mistério: ou ficam lindas ou dão vontade de chorar (e deitar fora 🙈).
Mas desta vez… ficou impecável! Não partiu ao enrolar, não partiu ao abrir para rechear. Um verdadeiro milagre natalício ✨

Ingredientes:
Para a massa - 3 ovos, 2 gemas, 80g açúcar, 40g de farinha, 30g chocolate em pó.
Para o recheio e cobertura: 200ml natas, 200g chocolate tablete, uma noz de manteiga.
Preparação:
Premeiro faz-se o recheio e cobertura. Partir o chocolate em pedacinhos e deitar por cima as natas quentes sem ser a ferver (minha nota 1: retiro as natas do lume quando começam a aparecer bolhinhas nos lados). Mexer bem com a vara de arames, e acrescentar a noz de manteiga. Deixar arrefecer e ir mexendo de vez em quando, ate ficar mais consistente para barrar. (minha nota 2: como está muito frio não precisei de colocar no frigorífico).
Bater muito bem os ovos e as gemas com o açúcar, acrescentar a farinha previamente misturada com o chocolate, usando o passador para peneirar. Vai ao forno num tabuleiro forrado com papel vegetal durante aproximadamente 15minutos. Quando estiver cozida, desemformar na bancada para um pano húmido polvilhado com açúcar e enrolar. Deixar arrefecer, desenrolar e rechear com o creme, voltar enrolar. Cortar os cantos e usar um para fazer uma lateral do tronco. Cobrir com creme e usar um garfo para decorar a imitar um tronco. Usei estes cogumelos que comprei no chinês, a imaginação é o limite.
… amanhã volto à minha cozinha logo de manhã ☕👩🍳
Ainda faltam os sonhos, a tarte de requeijão, os patês, as entradas e o inevitável bacalhau com natas. Eu não abdico do bacalhau cozido com todos na ceia, mas como há quem não goste, comecei há uns anos a fazer bacalhau com natas só para a minha filha e para o meu marido. O problema? Todos os anos aparece mais alguém que “afinal até gosta”… e o tabuleiro, que começou pequeno, vai crescendo de Natal para Natal.
Esta foi apenas a primeira parte - um Natal que se divide por dois:
jantar com a família do meu marido, almoço com a minha — duas mesas, duas tradições e muitas sobremesas pelo meio 🎄
Já o Ano Novo não se divide:
é sempre cá em casa. Jantar de 31, almoço de 1 de janeiro e eu novamente de avental vestido, ou seja, volto a arregaçar mangas, a ligar o forno e a cozinhar para todos, porque aqui as festas fazem-se à mesa… e eu não sei festejar de outra maneira 🎉
Boas festas!

* premir o botão pausa |até ao final de dezembro|

“A natureza nunca se apressa. O seu segredo é a paciência.”, Ralph Emerson
Estas palavras encontraram-me…há coisas que pertencem a um tempo — e talvez o outono seja o meu. Hoje a chuva chegou com força, a anunciar a mudança. Ainda não há frio suficiente para os casacos quentes, mas a luz já se recolhe cedo, como se o dia também tivesse vontade de regressar a casa. Lá fora, tudo abranda. Cá dentro, a alma tenta acompanhar.
Outubro foi um mês exigente. Daqueles que pedem contenção, paciência e um silêncio estratégico. Engoli sapos — dos grandes — e aprendi a observar em vez de reagir. Nem sempre é fácil calar quando tudo em nós quer defender-se, mas há alturas em que o melhor gesto é não fazer nada. Só deixar assentar o pó. Só respirar.
Agora, aos poucos, sinto o peso a aliviar. As águas ainda estão turvas, mas já há sinais de acalmia. É como se o tempo lá fora me dissesse para confiar: tudo tem o seu ritmo, mesmo quando não o compreendemos. O outono ensina isso — que há folhas que precisam cair, para que outras possam crescer.
E talvez seja apenas isto: aceitar o ritmo das coisas, regressar ao essencial, encontrar conforto nas pequenas pausas. Porque, às vezes, o simples ato de chegar a casa — por fora e por dentro — é tudo o que precisamos para (re)começar. Respirar, acolher o agora e deixar que o tempo faça o resto. E é assim mesmo!