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"A vida pode ficar muito pequena quando olhamos para ela com o olhar estreito. O tédio acontece quando nos afastamos da capacidade de nos encantarmos com as coisas mais simples do mundo. Porque para se estar aqui com um pouco que seja de conforto na alma há que se ter riso. Há que se ter fé. Há que se ter a poesia dos afetos. Há que se ter um olhar viçoso. E muita criatividade." Ana Jácomo
Uma espécie de mantra para inicio de semana, sentir a respiração, acalmar os pensamentos, ouvir o coração e aproveitar as coisas simples da vida. Há que acreditar que as coisas acontecem no momento certo, há que acreditar que tudo vai correr bem...sempre com fé. E é assim mesmo!
"De vez em quando, surge um vento mais forte e fecha as janelas pelo lado de fora. Quando acontece, é bobagem tentar brigar com o vento. A gente espera ele esvaziar e reabre as janelas pelo lado de dentro." Ana Jácomo
Estas palavras encontraram-me, a Primavera cá em casa não trouxe renovação, pelas janelas entrou uma tempestade que nos arrastou aos três e desta vez foi tão forte que tive momentos em que me senti completamente impotente, tive momentos em que me equacionei a mim própria e pus em causa os meus próprios actos, tive momentos em que achei que errei e outros em que sei que fiz o que devia ter feito, tive momentos em que quis sair daqui. Sabemos que estas coisas acontecem, mas aos outros, nunca conseguiremos imaginar quando nos entra pela janela e quando entra não sabemos como resolver.
Fazerem mal à minha filha, foi até hoje das coisas mais brutais que me poderiam fazer a mim. Denunciar, não denunciar foi sem duvida uma das maiores duvidas que tive que enfrentar, um enorme desafio. Consegui denunciar e evitar algumas situações que se podiam ter tornado mais complicadas, mas outras situações optei por esperar e deixar o vento "esvaziar".
As coisas acalmaram, mas a duvida persiste, denunciar tudo seria "brigar com o vento", denunciar tudo poderia causar mais dor, angustia e que sem duvida iria deixar marcas muito profundas para o resto da vida. Acredito e tenho fé que foi só um "vento mais forte", lentamente voltamos a respirar, lentamente curamos as feridas e esperamos que elas cicatrizem, lentamente vamos reabrindo "as janelas pelo lado de dentro".
Mesmo sofrendo devemos enfrentar os medos e compreender as coisas que parecem difíceis, com a consciência de que para isso é preciso mais do que força, optimismo e atitude positiva, é preciso coragem e amor próprio.
Mais uma etapa de crescimento como pais e como filha. Etapa que sem duvida nos ensinou o caminho que queremos percorrer quando o tempo nos troca as voltas, tempo de mudar, com ou sem medo. Mas sempre unidos, com coragem, fé e muito...muito amor!
(quem sabe um dia, eu sinta coragem para escrever mais sobre este vento mais forte...)