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Há quem tenha hobbies… e depois há quem adore listas. Eu assumo: adoro listas! Fazê-las, reescrevê-las, colorir, sublinhar, reorganizar — tudo isto me acalma. As listas ajudam-me a pôr ordem no caos, a ver o que realmente importa e a seguir o dia com a mente mais leve e clara. Riscar uma tarefa é, para mim, um pequeno ato de autocuidado. É quase terapêutico, é como abrir uma janela na mente e deixar entrar ar fresco. Há quem veja listas como uma mania; eu vejo-as como uma obsessão saudável. Porque quando escrevo, sinto-me proativa, equilibrada e mais próxima do que quero fazer (ou ser).
Além disso, as listas também alimentam a minha criatividade. Quando lhes junto cores, rabiscos e um toque de design, até as tarefas mais aborrecidas ganham um ar de brincadeira. E quando o dever se mistura com o prazer, tudo flui com mais leveza e produtividade. A Psychology Today confirma (sim, há ciência por trás disto!): escrever listas não é apenas uma distração bonita, é um hábito que ajuda a reduzir a ansiedade, aumenta a autoestima e até melhora a produtividade. Boas notícias, portanto: fazer listas é oficialmente terapêutico.
Eis 5 boas razões para continuar a fazê-las:
Não importa se são em papel, no telemóvel, com marcadores, quadradinhos, caixinhas ou números. O que interessa é o consolo que me dão — aquela sensação de que, mesmo quando a vida é um turbilhão, há sempre uma forma de a organizar… linha a linha, risco a risco. Fazer listas é, afinal, uma forma de criar ar e luz dentro de mim. E é assim mesmo!
Tenho tido alguns destaques da equipa dos blogs, mas confesso: não costumo partilhar estas coisas por aqui — não é do meu estilo e não quero parecer presunçosa a puxar elogios! Além disso, embora passe por aqui todos os dias, muitas vezes só consigo deixar um post meu e seguir a correr, sem o tempo que gostava de ter para visitar tantos outros blogs que adoro. Mas desta vez… não dá mesmo para ficar calada!
Nos últimos trinta dias já foram quatro destaques — e, com quase 14 anos de blog, acho que é caso para um Uauuu!
É um prazer continuar a fazer parte desta comunidade tão criativa, onde ainda se partilham ideias, desabafos e sonhos com tanto carinho. Obrigada a quem está desse lado — a ler, a comentar, ou simplesmente a passar por aqui em silêncio. É isso que faz também este espaço continuar a valer a pena. ❤️
* gratidão em letras grandes

"todososdias"
“Não é que tenhamos pouco tempo para viver, mas sim que desperdiçamos muito dele. A vida é longa o suficiente, e nos foi concedida em quantidade generosa para alcançarmos grandes feitos, se soubermos investir cada momento com atenção.” Sêneca, Sobre a Brevidade da Vida
Estas palavras encontraram-me... mais uma vez, foi um “bora lá!”. Já estamos no outono, e com o fim do mês à vista os dias começam a encolher. O quintal pedia cuidado antes que as primeiras chuvas chegassem e tornassem tudo mais difícil. Era hora de preparar o descanso do inverno, limpar, arrumar, garantir que a água corre bem e que tudo respira em paz. Nada disto foi planeado. Metemos o essencial no carro e lá fomos, os dois. Como já tínhamos lá estado no verão, sabíamos o que nos esperava, bastou abrir as janelas e deixar o ar fresco entrar. Desta vez, o foco era o quintal… e fazer apenas o que o corpo e a vontade pedissem.
Começámos cedo no sábado. O tempo ajudou e, no final do dia, celebrámos com um magusto improvisado. As castanhas não eram as melhores, é verdade, mas o sabor da simplicidade compensou tudo. A noite estava amena, e ficámos lá fora, sem horas, a conversar, a rir e a respirar devagarinho. Desligámos do mundo e voltámos a sentir o que é estar simplesmente presentes.
O fim de semana passou depressa demais — entre a azáfama de deixar tudo em ordem e o corpo cansado, quase parecia que um camião tinha passado por cima de nós. Mas a mente veio leve. Veio serena, com aquela sensação boa de missão cumprida… mesmo sabendo que ficou muito por fazer. E isso, para mim, é tudo o que um fim de semana precisa de ser. Voltámos em paz. E é assim mesmo!

"todososdias"

Simplificar a vida.
*o peso da normalização. Ter orgulho das nossas diferenças.
"Ser-se inteiro é não se deixar partir em pedaços para caber nos outros.", Mia Couto
Estas palavras encontraram-me… há pessoas que simplesmente não gostam de nós. Sem dramas, sem teorias da conspiração. Simplesmente não gostam. Tal como há quem não goste de puré de batata — e convenhamos, o puré não tem culpa nenhuma.
O problema é que muitas vezes fico incomodada com isso. Dou por mim a tentar agradar, ajustar, convencer, como se estivesse num casting para o papel de “pessoa de quem todos gostam”. Mas a verdade é que quanto mais tento, mais me afasto de quem realmente sou, mais me parto em pedaços para caber nos pratos dos outros. E o puré, coitado, não foi feito para ser moldado à colher de cada freguês.
Ser autêntico é aceitar que não vou ser o prato preferido de toda a gente. E ainda bem! Porque ser alguém de quem toda a gente gosta é receita certa para perder o sabor e o caminho mais rápido para ficar sem tempero — troco a minha essência por cem versões de mim, todas mornas e sem graça.
Da próxima vez que alguém não gostar de mim (ou eu não gostar de alguém), o importante é manter a calma, a distância certa e não reagir ao calor do momento para manter o equilíbrio. Não adianta ceder à tentação de “corrigir” os temperos dos outros. Há quem não goste de puré de batata… e o puré continua a ser ótimo. E é assim mesmo!
*e está tudo bem. 🥔

“Não deixes ninguém arrendar espaço na tua cabeça a menos que seja um bom inquilino.” autor desconhecido
Estas palavras encontraram-me …para alguém que passa demasiado tempo dentro da própria cabeça, esta é talvez uma das tarefas mais difíceis: escolher a quem dou espaço. Quantas vezes deixo pessoas tóxicas, que nada acrescentam, ocuparem divisões inteiras da minha mente?
Está na altura de rescindir contratos invisíveis e fazer uma limpeza profunda dentro de casa. Tempo para encher a minha cabeça de flores, em vez de inquilinos indesejados. 🌸
Amanhã começa outubro. Que traga mais espaço para o que importa, mais calma, mais sorrisos simples. Que seja um mês de janelas abertas apenas para os inquilinos que trazem paz, inspiração e luz. E é assim mesmo!