Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
“Não é que tenhamos pouco tempo para viver, mas sim que desperdiçamos muito dele. A vida é longa o suficiente, e nos foi concedida em quantidade generosa para alcançarmos grandes feitos, se soubermos investir cada momento com atenção.” Sêneca, Sobre a Brevidade da Vida
Estas palavras encontraram-me... mais uma vez, foi um “bora lá!”. Já estamos no outono, e com o fim do mês à vista os dias começam a encolher. O quintal pedia cuidado antes que as primeiras chuvas chegassem e tornassem tudo mais difícil. Era hora de preparar o descanso do inverno, limpar, arrumar, garantir que a água corre bem e que tudo respira em paz. Nada disto foi planeado. Metemos o essencial no carro e lá fomos, os dois. Como já tínhamos lá estado no verão, sabíamos o que nos esperava, bastou abrir as janelas e deixar o ar fresco entrar. Desta vez, o foco era o quintal… e fazer apenas o que o corpo e a vontade pedissem.
Começámos cedo no sábado. O tempo ajudou e, no final do dia, celebrámos com um magusto improvisado. As castanhas não eram as melhores, é verdade, mas o sabor da simplicidade compensou tudo. A noite estava amena, e ficámos lá fora, sem horas, a conversar, a rir e a respirar devagarinho. Desligámos do mundo e voltámos a sentir o que é estar simplesmente presentes.
O fim de semana passou depressa demais — entre a azáfama de deixar tudo em ordem e o corpo cansado, quase parecia que um camião tinha passado por cima de nós. Mas a mente veio leve. Veio serena, com aquela sensação boa de missão cumprida… mesmo sabendo que ficou muito por fazer. E isso, para mim, é tudo o que um fim de semana precisa de ser. Voltámos em paz. E é assim mesmo!

"todososdias"
"Ser-se inteiro é não se deixar partir em pedaços para caber nos outros.", Mia Couto
Estas palavras encontraram-me… há pessoas que simplesmente não gostam de nós. Sem dramas, sem teorias da conspiração. Simplesmente não gostam. Tal como há quem não goste de puré de batata — e convenhamos, o puré não tem culpa nenhuma.
O problema é que muitas vezes fico incomodada com isso. Dou por mim a tentar agradar, ajustar, convencer, como se estivesse num casting para o papel de “pessoa de quem todos gostam”. Mas a verdade é que quanto mais tento, mais me afasto de quem realmente sou, mais me parto em pedaços para caber nos pratos dos outros. E o puré, coitado, não foi feito para ser moldado à colher de cada freguês.
Ser autêntico é aceitar que não vou ser o prato preferido de toda a gente. E ainda bem! Porque ser alguém de quem toda a gente gosta é receita certa para perder o sabor e o caminho mais rápido para ficar sem tempero — troco a minha essência por cem versões de mim, todas mornas e sem graça.
Da próxima vez que alguém não gostar de mim (ou eu não gostar de alguém), o importante é manter a calma, a distância certa e não reagir ao calor do momento para manter o equilíbrio. Não adianta ceder à tentação de “corrigir” os temperos dos outros. Há quem não goste de puré de batata… e o puré continua a ser ótimo. E é assim mesmo!
*e está tudo bem. 🥔

“Não deixes ninguém arrendar espaço na tua cabeça a menos que seja um bom inquilino.” autor desconhecido
Estas palavras encontraram-me …para alguém que passa demasiado tempo dentro da própria cabeça, esta é talvez uma das tarefas mais difíceis: escolher a quem dou espaço. Quantas vezes deixo pessoas tóxicas, que nada acrescentam, ocuparem divisões inteiras da minha mente?
Está na altura de rescindir contratos invisíveis e fazer uma limpeza profunda dentro de casa. Tempo para encher a minha cabeça de flores, em vez de inquilinos indesejados. 🌸
Amanhã começa outubro. Que traga mais espaço para o que importa, mais calma, mais sorrisos simples. Que seja um mês de janelas abertas apenas para os inquilinos que trazem paz, inspiração e luz. E é assim mesmo!

Simplificar a vida.
Aproveitar a simplicidade dos momentos de (re)conexão com o que realmente importa. Tudo o resto pode vir.
*premir o botão pausa
* Pernil à moda das indecisões…|este deveria ser efetivamente o titulo deste post|
Chegou aquela altura do ano em que nunca sei bem o que vestir. As manhãs já estão mais frescas e pedem casacos quentinhos; à tarde já estou a suar e sinto-me uma cebola a descascar camadas. Na cozinha é a mesma conversa: as saladas já não me convencem, os grelhados parecem repetição, mas ainda não tenho coragem para um cozido ou uma feijoada. O corpo pede conforto, mas não um banquete de Inverno.
E eu com desejos de couves! Só que, claro, duas idas ao supermercado depois, nada de couves decentes à vista. Até que, na indecisão das compras do fim de semana, trouxe uma peça de carne para assar e, por teimosia, pedi também uns pedaços de pernil cortados em cubos pequenos. Gosto muito do pernil assado, com aquela pele estaladiça, mas irrita-me sempre: demora uma eternidade e, no fim, parece que há sempre mais osso do que carne.
No domingo, finalmente lá estavam as couves no supermercado e pensei: esquece a carne no forno, hoje é pernil na panela. Nada de complicado, mas já com aquele cheirinho de comida de conforto que andava a apetecer.

"todososdias"
Ingredientes:
Carne para cozer (vaca, porco ou frango — o que houver), couve, cenoura, batata, cebola, alho, louro, hortelã, coentros, sal e pimenta.
Preparação:
Na panela, coloquei a carne, a cebola em pedaços, o alho, o sal, a pimenta e um raminho de cheiros (hortelã e coentros). Depois de cozida, coei o caldo e voltei a deitá-lo na panela. Acertei o sal, juntei um pouco mais de água e deixei ferver. Primeiro entrou a cenoura em rodelas, depois a couve, e por fim as batatas em cubos e a carne já cozida.
Minha nota 1: Cozi o pernil na véspera, já cortado em pedaços, na panela de pressão. Retirei quase toda a gordura e o caldo ficou bem mais leve, mas igualmente saboroso.
Minha nota 2: Juntei um chouriço inteiro (previamente picado) quando cozi as couves. Deu aquele sabor extra, mas não é indispensável, o caldo com o ramo de cheiros já estava saboroso. Na hora de servir cortei ás rodelas.
Minha nota 3: Não tenho quantidades, fui juntando o que apetecia e o que cabia. O pernil rondava 1 kg (com pouco osso) e rendeu cerca de 6 doses.
E pronto: saiu um prato simples, saboroso e perfeito para estes dias em que não sabemos se queremos uma refeição fresca ou um prato de forno. Aquela comida de panela que sabe a casa sem pesar.

Estava à tua espera! As folhas caem, o ar refresca. Há sempre mil razões para gostar de ti. ✨