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Há quem tenha hobbies… e depois há quem adore listas. Eu assumo: adoro listas! Fazê-las, reescrevê-las, colorir, sublinhar, reorganizar — tudo isto me acalma. As listas ajudam-me a pôr ordem no caos, a ver o que realmente importa e a seguir o dia com a mente mais leve e clara. Riscar uma tarefa é, para mim, um pequeno ato de autocuidado. É quase terapêutico, é como abrir uma janela na mente e deixar entrar ar fresco. Há quem veja listas como uma mania; eu vejo-as como uma obsessão saudável. Porque quando escrevo, sinto-me proativa, equilibrada e mais próxima do que quero fazer (ou ser).
Além disso, as listas também alimentam a minha criatividade. Quando lhes junto cores, rabiscos e um toque de design, até as tarefas mais aborrecidas ganham um ar de brincadeira. E quando o dever se mistura com o prazer, tudo flui com mais leveza e produtividade. A Psychology Today confirma (sim, há ciência por trás disto!): escrever listas não é apenas uma distração bonita, é um hábito que ajuda a reduzir a ansiedade, aumenta a autoestima e até melhora a produtividade. Boas notícias, portanto: fazer listas é oficialmente terapêutico.
Eis 5 boas razões para continuar a fazê-las:
Não importa se são em papel, no telemóvel, com marcadores, quadradinhos, caixinhas ou números. O que interessa é o consolo que me dão — aquela sensação de que, mesmo quando a vida é um turbilhão, há sempre uma forma de a organizar… linha a linha, risco a risco. Fazer listas é, afinal, uma forma de criar ar e luz dentro de mim. E é assim mesmo!

Retirar peso à vida.
*a sombra como caminho natural da transformação que queremos alcançar

Houve um tempo em que os balanços de fim de ano e as listas de objetivos para o seguinte enchiam a internet. Era moda partilhar conselhos, dicas e fórmulas mágicas para poupar uns trocos. Hoje em dia, o tema está sempre em cima da mesa, mas com outro nome mais chique — literacia financeira.
Por aqui, não há tendências. As minhas velhinhas folhas de Excel estão comigo desde 2008. Todos os anos levo-as comigo, com uns ajustes e retoques pelo caminho. O mais engraçado é que aquilo que começou como simples orçamento familiar, com tabelas de receitas e despesas, transformou-se numa verdadeira bússola da minha vida financeira. Já não são só números: são planos, metas e até pequenas vitórias registadas com orgulho.
Confesso: olho para as minhas metas como se fossem contratos comigo própria. Nada de desejos vagos. São compromissos com prazos, valores e, às vezes, até consequências. No fundo, sigo o método dos objetivos SMART (Específicos, Mensuráveis, Alcançáveis, Relevantes e Temporais). Parece conversa de manual de gestão, mas comigo resulta que é uma maravilha.
Ora vejamos:
E como aplico isto? Com exemplos do dia-a-dia:
Exemplo 1: A minha máquina de lavar loiça avariou . Em vez de me atirar a crédito fácil, decidi: em 10 meses (temporal) comprar uma nova, que custa 700 €. Como? A pôr de lado 70 € por mês (mensurável e alcançável). Resultado: evito lavar loiça à mão (adeus a mãos secas, a contas do gaz e da água mais altas bem como a juros de crédito) e ganho tempo para coisas bem mais interessantes do que lavar pratos (específico e relevante).
Exemplo 2: As chamadas “despesas assassinas” (seguros, IMI, IUC, Natal…) já não me apanham desprevenida. Atualmente (sim porque já tive anos que paguei o "carneiro com a própria lã"), somo o total, divido por 12 e todos os meses (temporal) guardo esse valor (mensurável e alcançável). Quando chega a fatura, pago sem drama, sem apertos e até com um ligeiro ar de superioridade (específico e relevante).
Exemplo 3: Sempre que posso (e, convenhamos, com os preços de hoje em dia, sobra pouco entre o “fim do mês” e o “salário"), poupo e invisto uma parte do meu salário todos os meses (mensurável e alcançável). É um compromisso a longo prazo (temporal): não se trata só de acumular números numa conta, mas de garantir estabilidade e liberdade para o meu fundo de emergência e também que um dia posso gozar a reforma sem viver de sopas e massinhas (específico e relevante).
No fundo, o que aprendi nestes anos é simples: sem plano, o dinheiro desaparece em modo Houdini. Com plano, até os imprevistos passam a ser apenas chatices com solução. (Sim, já tratei de pôr de parte o “recheio extra” do salário deste mês por causa das novas tabelas do IRS — não vá o diabo tecê-las). E sim, continuo fiel ao meu Excel. É velho? É. Brilhante e glamoroso? Nem por isso. Mas é como aquele amigo inconveniente que nunca me poupa nas verdades: direto, sem maquilhagem, mas sempre certeiro.
Afinal, nem todo o influencer precisa de ring light. Não uso o TikTok, mas no Excel sou trending topic [na minha cabeça].
Simplificar a vida.
* no aqui e agora. Sair da inundação emocional ajudando o cérebro a focar-se no que pode fazer. Talvez possamos fazer mais do que à partida achamos. Quando entramos em ação, por mais pequena que seja, trazemos à vida novas oportunidades.

“Um dos desafios de quando atingimos alguns dos nossos objetivos prende-se com a questão: - “o que é que eu vou fazer com o que conquistei?” autor desconhecido
Estas palavras encontraram-me… essa é a questão central do que me faz reviver o que aprendi até aqui. Tenho construído o meu caminho ao longo do tempo e aos poucos vou estabelecendo alicerces com alguns dos meus objetivos, mesmo com os mais complicados cheios de obstáculos, tristezas e dores. Mas é tempo de concretizar processos aos quais dediquei e ainda dedico tempo e alma, até porque se defini objetivos os mesmos nasceram da minha fé e força em acreditar. E é assim mesmo!