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* [sobreviveu ao enrolar]
O meu Natal é sempre a dividir por dois.
No dia 24 há jantar de Natal, noite de Pai Natal e prendas abertas à meia-noite. Um Natal bem consumista, confesso. A minha sogra comprava tudo feito — filhoses, sonhos, azevias, tronco de natal, molotof, bolo de milho… uma verdadeira montra de pastelaria que só desaparecia lá para os Reis.
Mesmo assim, havia coisas que eram sagradas e que ela exigia que eu fizesse: a mousse de chocolate e a minha tarte de amêndoa.
Aliás, há mais de 30 anos que levo sempre a tarte de amêndoa, mesmo sem ela estar presente 🤍 . Modéstia à parte, é a minha personal trademark. Com a mesma receita ninguém a faz igual à minha — escrita num velho papelinho pela tia-avó Gertrudes.
Dia 25 é outro campeonato.
É dia de Menino Jesus, prendas só de manhã, sapatinhos na chaminé (hoje ficam debaixo da árvore, mas a tradição mantém-se). Aqui não se compra nada feito: tudo se faz, tudo se suja. O alguidar enchia-se de massa para as filhoses de abóbora e a cozinha era território sagrado.
Este ano, mais um vez sozinha na minha cozinha, liguei o forno e meti mãos à obra. A casa encheu-se de aromas, música de Natal, loiça para lavar… e um cálice de vinho do Porto a acompanhar, claro 🍷
Tradicionalmente fazia azevias de batata-doce, mas dão um trabalhão e sozinha era uma tarde inteira em pé — e o cansaço e a saúde também mandam.
Hoje já fiz a tarte de amêndoa, a serradura e aventurei-me num tronco de Natal. Já não fazia há muitos anos, mas era uma tradição só minha.
Confesso que hesitei. Fazer tortas é sempre um mistério: ou ficam lindas ou dão vontade de chorar (e deitar fora 🙈).
Mas desta vez… ficou impecável! Não partiu ao enrolar, não partiu ao abrir para rechear. Um verdadeiro milagre natalício ✨

Ingredientes:
Para a massa - 3 ovos, 2 gemas, 80g açúcar, 40g de farinha, 30g chocolate em pó.
Para o recheio e cobertura: 200ml natas, 200g chocolate tablete, uma noz de manteiga.
Preparação:
Premeiro faz-se o recheio e cobertura. Partir o chocolate em pedacinhos e deitar por cima as natas quentes sem ser a ferver (minha nota 1: retiro as natas do lume quando começam a aparecer bolhinhas nos lados). Mexer bem com a vara de arames, e acrescentar a noz de manteiga. Deixar arrefecer e ir mexendo de vez em quando, ate ficar mais consistente para barrar. (minha nota 2: como está muito frio não precisei de colocar no frigorífico).
Bater muito bem os ovos e as gemas com o açúcar, acrescentar a farinha previamente misturada com o chocolate, usando o passador para peneirar. Vai ao forno num tabuleiro forrado com papel vegetal durante aproximadamente 15minutos. Quando estiver cozida, desemformar na bancada para um pano húmido polvilhado com açúcar e enrolar. Deixar arrefecer, desenrolar e rechear com o creme, voltar enrolar. Cortar os cantos e usar um para fazer uma lateral do tronco. Cobrir com creme e usar um garfo para decorar a imitar um tronco. Usei estes cogumelos que comprei no chinês, a imaginação é o limite.
… amanhã volto à minha cozinha logo de manhã ☕👩🍳
Ainda faltam os sonhos, a tarte de requeijão, os patês, as entradas e o inevitável bacalhau com natas. Eu não abdico do bacalhau cozido com todos na ceia, mas como há quem não goste, comecei há uns anos a fazer bacalhau com natas só para a minha filha e para o meu marido. O problema? Todos os anos aparece mais alguém que “afinal até gosta”… e o tabuleiro, que começou pequeno, vai crescendo de Natal para Natal.
Esta foi apenas a primeira parte - um Natal que se divide por dois:
jantar com a família do meu marido, almoço com a minha — duas mesas, duas tradições e muitas sobremesas pelo meio 🎄
Já o Ano Novo não se divide:
é sempre cá em casa. Jantar de 31, almoço de 1 de janeiro e eu novamente de avental vestido, ou seja, volto a arregaçar mangas, a ligar o forno e a cozinhar para todos, porque aqui as festas fazem-se à mesa… e eu não sei festejar de outra maneira 🎉
Boas festas!
* Pernil à moda das indecisões…|este deveria ser efetivamente o titulo deste post|
Chegou aquela altura do ano em que nunca sei bem o que vestir. As manhãs já estão mais frescas e pedem casacos quentinhos; à tarde já estou a suar e sinto-me uma cebola a descascar camadas. Na cozinha é a mesma conversa: as saladas já não me convencem, os grelhados parecem repetição, mas ainda não tenho coragem para um cozido ou uma feijoada. O corpo pede conforto, mas não um banquete de Inverno.
E eu com desejos de couves! Só que, claro, duas idas ao supermercado depois, nada de couves decentes à vista. Até que, na indecisão das compras do fim de semana, trouxe uma peça de carne para assar e, por teimosia, pedi também uns pedaços de pernil cortados em cubos pequenos. Gosto muito do pernil assado, com aquela pele estaladiça, mas irrita-me sempre: demora uma eternidade e, no fim, parece que há sempre mais osso do que carne.
No domingo, finalmente lá estavam as couves no supermercado e pensei: esquece a carne no forno, hoje é pernil na panela. Nada de complicado, mas já com aquele cheirinho de comida de conforto que andava a apetecer.

"todososdias"
Ingredientes:
Carne para cozer (vaca, porco ou frango — o que houver), couve, cenoura, batata, cebola, alho, louro, hortelã, coentros, sal e pimenta.
Preparação:
Na panela, coloquei a carne, a cebola em pedaços, o alho, o sal, a pimenta e um raminho de cheiros (hortelã e coentros). Depois de cozida, coei o caldo e voltei a deitá-lo na panela. Acertei o sal, juntei um pouco mais de água e deixei ferver. Primeiro entrou a cenoura em rodelas, depois a couve, e por fim as batatas em cubos e a carne já cozida.
Minha nota 1: Cozi o pernil na véspera, já cortado em pedaços, na panela de pressão. Retirei quase toda a gordura e o caldo ficou bem mais leve, mas igualmente saboroso.
Minha nota 2: Juntei um chouriço inteiro (previamente picado) quando cozi as couves. Deu aquele sabor extra, mas não é indispensável, o caldo com o ramo de cheiros já estava saboroso. Na hora de servir cortei ás rodelas.
Minha nota 3: Não tenho quantidades, fui juntando o que apetecia e o que cabia. O pernil rondava 1 kg (com pouco osso) e rendeu cerca de 6 doses.
E pronto: saiu um prato simples, saboroso e perfeito para estes dias em que não sabemos se queremos uma refeição fresca ou um prato de forno. Aquela comida de panela que sabe a casa sem pesar.

Estava à tua espera! As folhas caem, o ar refresca. Há sempre mil razões para gostar de ti. ✨
*Salvei o chocolate… e ganhei um bolo ... |este deveria ser efetivamente o titulo deste post|
Sou uma “chocólatra assumida” – cá por casa nunca faltam tabletes no frigorífico e desaparecem a uma velocidade estonteante (às vezes acho que têm perninhas e fogem sozinhas!). A sorte é que o chocolate preto é só meu. Ninguém lhe toca. O de leite e o branco voam num instante, mas o preto fica ali, à minha espera, fiel como um amigo. E não sou só eu que o digo: os especialistas garantem que o chocolate preto é o melhor. Tem menos açúcar, mais cacau, fibra, minerais e uns tais flavonoides que fazem bem ao coração. Portanto, cada quadradinho que como é praticamente um suplemento alimentar. Que maravilha!
Claro que nem sempre a coisa corre bem. Numa das últimas compras, trouxe uma tablete de chocolate preto que era… vá, sofrível. Ficou esquecida no frigorífico, sem glamour, mais de metade intacta. Mas aqui não se desperdiça nada! Liguei o forno e pensei: “Se não é grande coisa para trincar, vai brilhar num bolo”.
Dito e feito. Derreti o chocolate, juntei nozes e, com apenas 4 ovos, enchi a minha forma de bolo inglês grande. O resultado? Uma surpresa deliciosa. Não saiu um bolo fofo de pastelaria, nem daqueles húmidos que pedem colher. Saiu um bolo denso, escuro, intenso, mas que se desfazia na boca como manteiga. Bastou cortar a primeira fatia e… desapareceu num ápice.
Moral da história: até o chocolate menos simpático pode tornar-se numa estrela, desde que se junte criatividade (e umas nozes pelo meio). E se ainda der benefícios para o coração? Olhem, é só mais uma desculpa para repetir a dose.

(a foto não é minha, não deu tempo dada a velocidade com que desapareceu, mas sem duvida que estava igualzinho, na cor e no aspeto, de sabor o meu era melhor, claro!)
Ingredientes:
Chocolate preto em barra (usei o resto da tablete que tinha, apx.100g, mas vai depender da percentagem de cacau e do gosto pessoal); 4 ovos; 100g manteiga; 180g farinha; 150g açúcar (o chocolate era mesmo muito amargo, com outra percentagem de cacau pode levar menos açúcar); 1 (chá) bem cheia de fermento em pó; nozes (q.b.)
Preparação:
Partir o chocolate em pedaços, colocar numa tigela, juntar a manteiga e levar a derreter em banho-maria ou no micro-ondas. Adicionar os ovos, um a um e batendo sempre. Juntar o açúcar, o fermento e a farinha e bater muito bem até fazer bolhas. Adicionar o miolo de noz picado, envolver, deite na forma untada com manteiga e polvilhada com farinha. Levar ao forno a 180ª durante cerca de 45 minutos ou até que fique cozido. Retirar, desenformar e deixar arrefecer.
A expressão popular que diz para fazermos limonada nunca fez tanto sentido na minha vida, como nos últimos dias.
Um pensamento de superação diante das adversidades da vida, que motiva sempre a olhar o copo cheio, nunca o vazio, na procura em ver o lado bom das coisas e evitando a queixa e a lamentação. É assim que eu me encontro nos últimos tempos, após um susto valente que a vida me pregou. Aos poucos a agitação, a falta de tempo e o constante apagar de fogos consumiu lentamente o que eu tinha de mais precioso: eu própria.
Não estou a “reclamar”, mas a refletir. Quantos de nós aqui passamos ou passaremos por momentos em que a velocidade dos dias nos consome ou nos consumirá, quem sabe até a maior parte do nosso tempo, deixando apenas algumas horas para dormir (isso quando as preocupações não tiram o sono), e alguns fins de semana no sofá, para recuperar da semana alucinante.
Não me posso acostumar com a rotina da minha agenda, com a correria que não me permite usar o meu tempo de forma mais saudável. Não me posso acostumar com a falta de equilíbrio nem deixar que a falta de tempo seja uma desculpa.
A vida é assim, tudo depende da forma como encaro as situações, sejam elas boas ou más. É preciso apenas saber lidar com elas e não ficar só com o susto das intempéries que me surpreendem.
Aproveitar o momento (e os limões que me ofereceram 😊 ), sem esquecer ontem foi dia do pai por isso foi dia de jantar especial cá em casa e hoje celebramos o início da primavera. A simples tentativa de transformar o meu mínimo em máximo faz com que eu olhe para frente, em vez de olhar para trás. Faz com que eu substitua pensamentos negativos por pensamentos positivos. Faz criar boas energias.
E assim mesmo!

* faz bolo de limão! 🥮
Ingredientes:
3 ovos; 1 chávena de açúcar; ½ chávena de óleo; ½ chávena de sumo de limão; 2 chavenas de farinha e 1 colher de fermento em pó.
Preparação:
Bater muito bem os ovos com o açúcar até ficar um creme fofo. Juntar o sumo de limão e o óleo, por fim adicionar a farinha com o fermento.
Vai ao forno em forma untada, durante apx. 45 minutos.
Minha nota 1: fui buscar esta receita à IA, solicitei que queria um bolo simples e fofo. E efetivamente foi super-rápido e simples de fazer, sem sujar muita loiça e ficou muito bom.
Minha nota 2: a receita também incluía raspa de limão no fim, optei por não pôr porque cá por casa apreciam o sabor do limão q.b.
Minha nota 3: a IA também me deu uma dica extra: fazer uma calda misturando sumo de 1 limão + ½ chavena de açúcar e despejar sobre o bolo ainda morno. Não fiz, mas vou fazer da proxima vez.
Ps: Bem vinda primavera! 🌼🌷🌻


A correria dos dias são tão vertiginosas que quando nos apercebemos o tempo passou. Mas entre altos e baixos não deixamos [teimosamente] passar os nossos momentos. Acreditamos e temos fé. Por isso todos os dias trazem qualquer coisa, hoje não foi excepção... e a nossa mesa é sempre um dos nossos maiores confortos. Cansada, muito cansada, mas grata, porque até o improviso é sinonimo de festa!
Ovos rotos 🍳
Ingredientes: ovos, cebola roxa, bacon, batatas, manteiga, colorau, sal e pimenta.
Preparação:
Cortar as batatas em cubos cubinhos, colocar por algum tempo em água gelada. Enxugar bem, temperar com colorau, sal e pimenta. Fritar.
Minha nota 1: Coloquei na airfryer (desde que a tenho nunca mais fiz batatas na fritadeira)
Aquecer uma frigideira antiaderente e colocar o bacon cortado em fatias finas a tostar. Após tostado colocar de parte. Na mesma frigideira colocar manteiga e a cebola cortada em meias rodelas finas a caramelizar. Entretanto estrelar os ovos.
Colocar numa travesa as batatas cozinhadas, por cima a cebola caramelizada, os ovos, o bacon e pimenta.
Minha nota 2: só usei sal na confecção das batatas, o bacon que tostei na frigideira aromatizou a manteiga e temperou a cebola enquanto caramelizava.
Minha nota 3: as quantidades é em função do número de pessoas e o nosso apetite. 😋
Minha sugestão: acompanhar com bebida a gosto e partilhar com quem está connosco todos os dias. E é assim mesmo!
Buuuuuu! 🎃